quinta-feira, 26 de maio de 2016

Hora do iodo 131

No último dia 24 recebi a dose de iodo 131. O que é esse iodo?

O iodo radioativo na forma de iodeto de sódio (NaI-131), é um elemento que apresenta algumas características físicas a mais que o iodo encontrado no sal, ele é produzido por processos físicos a partir do iodo encontrado na natureza. Por possuir as mesmas características que o iodo (NaI), o iodo radioativo será também captado pela glândula tireóide, por fazer parte do metabolismo da glândula. Além destas características de afinidade com a tireóide, este iodo é dito radioativo por emitir radiações de duas maneiras: radiação gama (semelhante aos raios X) e radiação beta, esta última empregada no propósito de terapia no combate às células cancerígenas ainda presentes na glândula tireóide. A radiação beta emitida pelo iodo radioativo são partículas que possuem muita energia, que servirão como pequenas “bombas”, e irão se armazenar no tecido da tireóide destruindo as células cancerígenas.
Por emitir dois tipos de radiação, o iodo (I-131) emite radiação do tipo gama, que será utilizada para fazer imagens ou estudos da tireóide como a cintilografia. Para a cintilografia, se utiliza dose deste mesmo material em concentrações de radiações muito menores que à utilizada na terapia. A dose de iodo radioativo (I-131) para uso terapêutico é determinada por um estudo prévio de captação de iodo pela tiróide, com concentrações pequenas de radiação (cintilografia), ou por um estudo clínico do paciente (anamnese).

No meu caso foi usado a dose minima para pesquisa de coro inteiro, que é a cintilografia.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Esclarecendo... Eu em tratamento.

       Nos últimos meses, tenho passado por um problema de saúde ao qual nunca imaginei que teria, mas o fato da doença ter me escolhido, não é de todo o problema. Meu maior problema é ter que ficar ouvido que fulano, beltrano ou cicrano teve ou tem problema de tireóide e vive super bem. Minha postagem de hoje, tem por o objetivo informar sobre o tipo de carcinoma que acometeu minha glândula tireoidiana, as conseqüências da doença em minha vida, e os passos a que tenho passado. Gostaria ainda de esclarecer que, o fato de você conhecer alguém que tenha problema de hipotireoidismo, hipertireoidismo ou tenha feito cirurgia para a retirada da tireóide, não significa que tenha passado pelo que estou passando. Afinal, na hipo ou hiper o tratamento é com medicamentos, e no caso da cirurgia, existem pessoas que só tiram parte dela, então sua função continua, ou mesmo no caso da retirada total para tratamento de nódulo benigno, o paciente já sai do hospital fazendo as reposições hormonais necessárias, o que não foi o meu caso. 
Carcinoma Papilífero: é o tipo mais comum e está presente em cerca de 8 de 10 pessoas com câncer de tireoide (80%). Geralmente cresce muito lentamente e muitas vezes se espalha para os gânglios linfáticos no pescoço. Espalhar para os pulmões ou ossos é raro. Atinge as mulheres duas vezes mais frequentemente que os homens, e a idade do paciente típico é de 30 a 50 anos.
Você sabia que ...?
A maioria das pessoas com câncer de tireoide não têm sintomas.
Como é diagnosticado o câncer de tireoide?
Normalmente, você pode encontrar um nódulo si mesmo ou seu médico poderá encontrar um nódulo durante um exame de rotina.A maneira mais confiável de diagnosticar o câncer de tireoide é através da aspiração do nódulo com uma agulha fina. Este procedimento utiliza uma agulha fina que é inserida no nódulo para retirar células ou fluidos do nódulo que serão analisados ao microscópio. Esse teste é muito preciso para identificar nódulos cancerosos ou "suspeitos" e muitas vezes pode identificar o tipo de câncer.
Como é tratado o câncer de tireoide?
O tratamento varia, dependendo do tipo de câncer e se ele se espalhou. As opções de tratamento incluem:
1º passo, cirurgia. O cirurgião remove parte ou, mais comumente, toda sua glândula tireoide, e nódulos linfáticos anormais. Alguns cirurgiões também removem os linfonodos próximos, mesmo se eles não estiverem visivelmente anormais. Após a cirurgia, você terá que tomar hormônio tireoideano para o resto de sua vida para substituir os hormônios de tiróide você não pode mais produzir.

2º passo, Terapia com iodo radioativo. Esse tratamento consiste em ingerir uma pequena quantidade de iodo radioactivo para destruir o tecido tireoidiano não removido pela cirurgia. O iodo radioativo também pode tratar o câncer de tireoide que se espalhou para os nódulos linfáticos e outras partes do corpo.
O que é iodoterapia?
• Iodoterapia é um tipo de tratamento clínico onde se administra por via oral o iodo radioativo (iodo 131).
• Este tratamento só pode ser administrado por uma equipe especializada que consiste em um médico nuclear e paramédicos treinados.
Quais são os cuidados necessários durante o tratamento? 
• Antes do tratamento é necessário um preparo adequado que consiste em:
• - suspender o uso de hormônios tiroideanos (que são introduzidos após a retirada cirúrgica da glândula);
• - realizar uma dieta pobre em substâncias que contenham iodo (alimentos e medicamentos) e evitar contato com produtos ricos em iodo (maquiagens, esmaltes, sabões com iodo, etc);
• - no dia do tratamento estar em jejum de pelo menos 4 horas, pois assim a absorção do iodo radioativo no estômago será melhor e maior.
• Nos casos de tratamento do câncer da tireoide, durante o tratamento, o paciente ficará internado em quarto especial, que contem proteção nas paredes, para evitar que a radiação contida no iodo 131 atinja pessoas ao redor.
• Também deverá ingerir bastante líquido, preferencialmente água, para que o excesso de radiação seja eliminado na urina.
• A partir do primeiro dia é ofertado balas azedas ou mesmo frutas cítricas para estimular a salivação e evitar que o iodo 131 se concentre nas glândulas salivares.

Quais são os efeitos colaterais? 
• Têm-se os efeitos agudos que são imediatos ao tratamento e os crônicos que podem se estender por anos.
• Os agudos são:
• - náuseas e vômitos;
• - dor e irritação do estômago;
• - inchaço e dor das glândulas salivares. 
• Crônicos:
• - boca seca;
• - olhos com pouco lacrimejamento (olhos secos);
• - hipotireoidismo (falta de hormônios da tireoide). 
Apesar de usarmos material radiativo, não existe possibilidade de se provocar algum outro tipo de câncer, pois a dose é planejada para cada caso e seu uso controlado.

Após a cirurgia e até o tratamento com o idodo, estarei sem fazer a reposição hormonal necessária para o resto da vida, e portanto, poderei apresentar os seguintes sintomas:
Hipotireoidismo
Sintomas do hipotireoidismo estão:
• Depressão
• Desaceleração dos batimentos cardíacos
• Intestino preso
• Menstruação irregular
• Diminuição da memória
• Cansaço excessivo
• Dores musculares
• Sonolência excessiva
• Pele seca
• Queda de cabelo
• Ganho de peso
• Aumento do colesterol no sangue
Hipocalcemia

Junto à glândula tireóide, existem as glândulas paratireóides, que em geral são em número de 4. Elas são responsáveis pela produção de um hormônio (PTH) que regula o nível de cálcio no sangue. Após uma tireoidectomia, pode haver uma diminuição temporária ou definitiva da função destas glândulas, levando à queda dos níveis de cálcio no sangue (hipocalcemia). Felizmente, é muito raro ocorrer uma deficiência definitiva na função que é chamada de hipoparatireoidismo definitivo e quase sempre está associada com a tireoidectomia total. O paciente pode apresentar sintomas como: formigamentos nas mãos, nos pés, ao redor dos lábios e nas orelhas que podem evoluir para cãimbras. O tratamento consiste em receber grandes doses de cálcio e Vitamina D. Raramente estes sintomas ocorrem em tireoidectomias parciais.
Como viver sem sem tireóide
É possível viver sem tireoide porque os hormônios produzidos por este órgão podem ser substituídos por remédios em comprimidos com cálcio e vitamina D, como Levoritixina ou Synthroid por exemplo, recomendados pelo endocrinologista que têm de ser tomados de manhã em jejum, pelo resto da vida.

Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia